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domingo, 18 de dezembro de 2011

Underpop: A Centopeia Humana 2

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Depois de me deliciar assistindo a primeira parte (você pode conferir a crítica aqui) dessa já icônica série de terror moderno, fui pesquisar sobre a tal continuação que seria, segundo o diretor Tom Six, ainda mais grotesca e violenta.

Após vários teasers e especulações, eis que foi lançado A Centopeia Humana 2 (The Human Centipede II – Full Sequence - 2011).

Martin

Uma coisa é certa. Tom Six pode não ser o melhor diretor do mundo, mas sabe escolher e desenvolver protagonistas soturnos como ninguém. Na primeira centopeia conhecemos o esquisitão mito da dramaturgia Dr. Heiter, com seu ar frio, inexpressível e cruel, realmente nos passava a imagem de um cirurgião-doutor-maluco que queria montar um centopeia feita de três pessoas ligadas pelos… pelos rostos um nos traseiros dos outros.

Nessa segunda centopeia não é diferente. Tom mais uma vez acertou em cheio escolhendo o gordinho freak da foto acima (Laurence R. Harvey) para o papel de Martin, o perturbado protagonista que desenvolve uma obsessão doentia pelo primeiro filme da série.

Se há uma palavra que defina a atuação de Martin, essa palavra é agonia. Ajudado pelos planos fechados e super closes, o protagonista nos passa com perfeição sua patologia psicológica, seja com seus olhos saltados para fora das orbitas, que a todo instante estão arregalados, seja com seu ar impaciente e suor constante no rosto. Fica ainda mais aflitivo pois ele não fala uma palavra se quer o filme inteiro, proferindo apenas gemidos e risadas doentias. Definitivamente, ponto para Tom Six, mas infelizmente, para por aí.

MARTIN

A película é toda rodada em preto e branco. Chegando a ter um aspecto visual por vezes parecido com um film noir. Esse fato não agrega nada de muito especial ao filme, servindo mais para deixar o sangue na cor preta, do que outra coisa.

Mesmo não chegando a ter 1h e 30 minutos de filmagens, por muitas vezes a obra se torna extensa e chata. Com sequencias lentas e muitas vezes diálogos desnecessários. A repetição de cenários e do lenga lenga entre Martin, sua mãe e o psicólogo Dr.Sebring (Bill Hutchens) tiram completamente o ritmo.

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A curta duração do longa também faz percebermos que estranhamente, para um filme em que o diretor tinha o total intuito de chocar e causar reações adversas, é notável o fato das cenas de maior violência explicita só aparecerem depois da casa dos quarenta e cinco minutos de película. Até chegar nesses momentos, o filme se resume basicamente em Martin capturando inocentes no estacionamento em que trabalha para a sua experiência, aprisionando-os num galpão “alugado” (Ele matou o proprietário) ou tomando broncas de sua mãe também perturbada mentalmente.

O que vemos após os quarenta e cinco minutos, é um verdadeiro festival de torturas e mortes que honram o “100% medicamente impreciso” do pôster, que deveria servir só para descrever o quão bizarro e impossível é o fato de você querer fazer uma centopeia com pessoas, mas também serve para descrever o quão toscas são as mortes ocorridas.

É uma mentira maior que a outra. Entre dentes sendo arrancados a marteladas e pessoas sendo grampeadas umas nas outras – o que de certo modo ainda é crível -, vemos mortes – ou quase – que me fizeram lembrar o também ruim Lenda Urbana de 1998, em que pessoas, tomavam facadas e outros tipos de lesões graves e ainda continuavam fugindo normalmente. Como é o caso da sequencia em que uma moça grávida – que acreditava-se estar morta – magicamente se levanta e sai correndo tentando fugir do gordinho freak. Ela entra no carro do dono do galpão - que Martin assassinou há alguns dias – e tenta dar a partida no carro, mas como todo bom clichê de cenas de perseguição, o veículo não pega na partida. Então, a moça começa a entrar em trabalho de parto, ali mesmo no banco do motorista, enquanto seu algoz perturbado a encara de fora do carro, tentando entrar sem sucesso. Não bastando toda essa galhofa, para completar a moça consegue por seu bebê para fora, que cai no assoalho do carro, e ela imediatamente dá a partida no carro e pisa no acelerador esmagando a criança(!).

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Analisando pela premissa de que o diretor queria fazer um dos “filmes mais controversos já filmados”, podemos afirmar que A Centopeia Humana 2 realmente choca, não o filme inteiro, mas algumas pequenas sequencias são bem aflitivas e sanguinolentas. E para completar, além de todo o gore "tradicional” o diretor também acrescenta cenas com teor escatológico, transmitindo uma sensação de nojo horrível. Mas há que se notar também, que se formos tomar como base outros filmes recentes do gênero, A Serbian Film causa muito mais impacto do que Centopeia, que acabou caindo no clichê de filmes baseados apenas em violência e perdendo sua aura involuntária de “terror meio comédia” que tinha na primeira parte, e que de certa forma, até cativava o espectador.

Confira o trailer:

Trailer legendado pelo GETRO

Nota: 2   E devido a essa nota pífia, até criei um selo especial

Dr. Heiter decepcionado

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Underpop: A Nona Sessão

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Voltando as origens dessa coluna, onde comentaria sobre filmes mais underground, dediquei 1 hora e 40 minutos do meu nem tão precioso tempo para assistir o desconhecido suspense/terror A Nona Sessão (Session 9 – 2001).
Por ser um belo suspense, me limitarei a análise geral, para não estragar as surpresas.

Session 9

Basicamente acompanhamos Gordon (Peter Mullan), um experiente trabalhador da construção civil especializado em reformas, mais precisamente em remoção de antigos forros feitos de amianto.
Ele e sua equipe, da qual fazem parte Phil (David Caruso – C.S.I: Miami), Mike (Stephen Gevedon – Lei e Ordem, Guerra dos Mundos), Hank (Josh Lucas – Hulk, Psicopata Americano) e Jeff (Brendan Sexton III) são contratados para remover a forração de um antigo manicômio local, que irá se tornar a nova prefeitura da cidade.
A equipe de Gordon é contratada pois acaba oferecendo um preço razoável e o menor tempo de execução da obra, mas isso acaba forçando os rapazes a terem que trabalhar dobrado para alcançar a sua meta.

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Simploriamente, podemos dizer que A Nona Sessão é um “suspense à luz do dia” o que denota todo o mérito do diretor Brad Anderson (O Operário, Feliz Coincidência) em conseguir segurar toda a tensão da trama mesmo com os raios de sol entrando pelas janelas do manicômio.
Assim como em Atividade Paranormal,  A Nona Sessão nos mostra que é perfeitamente plausível um filme de suspense sem muitos efeitos e firulas. Não só é possível, como eu diria que atribui uma aura muito mais verídica, deixado-nos completamente imersos na trama.
Toda a construção da história e dos personagens é muito bem detalhada. O que chega até mesmo a esconder um pouco a atuação duvidosa de alguns atores.
A sequencia da narrativa nos leva a dois caminhos. Começamos descobrindo pouco a pouco quem são e como são os personagens principais, ao par que vamos aos poucos sendo apresentados a história do manicômio e seus pacientes obscuros.
É esse tom de descoberta após descoberta, que nos deixa apreensivos até os últimos minutos de filme, onde mesmo depois dos vários acontecimentos bizarros da trama, ainda não temos ideia de quem, ou que está por traz da obscura aura do manicômio.


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A boa direção de fotografia nos ajuda a sentir como é estar dentro do local abandonado, assim como nos faz partilhar das expressões das personagens, que pouco a pouco vão perdendo sua sanidade.
Não fossem certos momentos onde os diálogos se alongam mais do que deveriam, e um pouco mais de cuidado no desfecho da trama, A Nona Sessão seria um dos melhores suspenses de terror já feitos, mas para um orçamento de aproximadamente US$ 1.500.000,00 é uma obra que surpreende quem assiste sem conhecê-la previamente.
Vale a conferida para quem gosta do estilo. Fiquem com o trailer:


Nota: 7

Imagens e trailer: Divulgação.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Underpop: Canibal Holocausto

Cannibal Holocaust

Meninos eu vi! Sim, finalmente parei para assistir esta pérola do cine-trash-contraditório mundial, Canibal Holocausto (Canibal Holocaust – 1980) do diretor italiano Ruggero Deodato.

Cannibal Holocaust


O filme conta a história do antropólogo e professor universitário Harold Monroe (Robert Kerman) que vai numa missão de resgate à Amazônia, para tentar encontrar quatro documentaristas desaparecidos.
Liderados pelo film-maker Alan Yates (Carl Gabriel Yorke) os quatro desbravadores desaparecidos queriam encontrar a até então incomunicável tribo dos índios Shamatari. Como não voltaram de sua jornada, uma rede de TV norte-americana resolveu financiar a ida do professor Harold Monroe até a Amazônia para saber o que aconteceu.
Após algumas intempéries, o professor Harold chega até a tribo "mais light" de índios canibais. Depois de algumas transações diplomáticas, o professor encontra o que sobrou dos documentaristas desaparecidos, e junto com eles as gravações feitas.
E é ao assistirem as gravações perdidas que o show começa.


Cannibal Holocaust


Na época do lançamento, o filme ganhou um buzz imenso devido as denúncias de que alguns atores realmente haviam morrido durante as gravações. Inclusive o diretor foi preso por essa acusação, e ficou detido, até que conseguiu provar que os atores estavam vivos.
Posso dizer que na sua proposta, é um filme muito bem sucedido. Ou seja chocar intensamente o expectador. São uma hora e meia de selvageria, maquiagens até convincentes, más atuações, direção horrível, roteiro duvidoso, outras maquiagens nem tão convincentes assim e mortes completamente desnecessárias de animais.


Cannibal Holocaust


Há de tudo o que a mente do mais perverso serial killer possa imaginar. Estupros, torturas, mortes por pauladas, mortes por facadas e até mesmo empalação. Realmente é possível acreditar em certos momentos que existem mortes reais nesse filme, mas não sei se isso é digno de se elogiar o diretor. Como também há outros momentos em que as maquiagens são risíveis de tão toscas e amadoras.
Ainda falando em mortes, certamente foram repugnáveis e totalmente desnecessários os sacrifícios animais contidos na película. São passagens que não acrescentam absolutamente nada a trama, estando lá somente para mostrar os personagens se alimentando. Cabe ressaltar que quem mata mais animais o filme inteiro são "o povo branco" e não os indígenas.

Cannibal Holocaust


Em meio a tantas atrocidades, canibalismo, sacrifícios animais e humanos, e um professore universitário tomando banho de rio pelado enquanto flerta com indiazinhas curiosas, acreditem, há espaço para uma mensagem filosófica.
As gravações dos "intrépidos" documentaristas revelaram o por quê do seu fim trágico.
Deixando de lado o fato do guia deles ter morrido no meio do caminho, e eles terem continuado caminhando(!) por uma floresta que nunca viram na vida, e ainda terem achado o local da tribo(!!), ficamos com a revelação da verdadeira natureza humana, no caso não a dos canibais, mas sim do povo da cidade. Ao chegarem na tribo, o primeiro contato com os índios foi bem intimidatório. Mostrando e disparando suas armas, eles impuseram medo aos pobres nativos, e – até agora eu não sei por quê – simplesmente colocaram fogo na tribo inteira. Fazendo os índios baterem em retirada amedrontados.
Após mais algumas barbaridades gratuitas – incluindo o estupro de uma índia – a equipe se embrenha na mata para continuar sua jornada. Mas no meio do caminho, encontram a tribo de canibais, obviamente muito irritados e prontos para se vingar. E se um grupo de pessoas com raiva já consegue ser ruim, um grupo de canibais raivosos é muito pior.


Cannibal Holocaust


Depois que a equipe de TV assiste as gravações com o professor Harold, decidem não exibir o documentário e guardar toda a selvageria registrada para sempre. E por fim, ficamos com a mensagem do professor, que se auto indaga: Afinal, quem são os verdadeiros selvagens nessa história?
E assim termina um dos filmes mais controversos já produzidos. Indo do risível ao plausível. Do ruim ao desnecessário e do contraditório ao filosófico, de uma maneira que eu tenho certeza que você nunca viu. Quem tiver estômago forte e quiser conferir, fique à vontade, mas eu realmente não recomendo para ninguém.
Depois não digam que eu não avisei!
Trailer da pérola (+16!):



Nota:  3 (pela filosofada no final)

P.S.: Espero MUITO que não queiram fazer um remake desse também.
Imagens: Divulgação.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Underpop: Victim


Victim 2010

Qual a diferença entre um filme ruim e um filme trash? Eu diria que há uma linha tênue que separa uma obra clássica, por mais galhofa que ela possa ser, de um filme simplesmente ruim. E há ainda aqueles que eram para ser trash e acabam ficando piores, como é o caso de Victim (sem título em português) de 2010.
A história é tão bizarra e sem nexo que o sono logo aparece ao assistir esse "filme" dos desconhecidos diretores Matt Eskandari e Michael A. Pierce, e olha que ele só tem 1h e 14 minutos (contando os créditos!).

Eu escrevi "filme" porque muitas vezes a película toma uma cara de seriado policial bem forte, o que não agrega nada a história ou estética e não reduz a ruindade de Victim.

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Logo de começo, temos a impressão de que será um filme ao estilo "filmagens anônimas encontradas por aí", pois vemos pedaços de uma fita onde um bela jovem entra num quarto de hotel e se encontra com a pessoa que está filmando. As falas dão a entender que ela ou é uma acompanhante de luxo ou qualquer outro tipo de profissional de entretenimento adulto. Após uma breve flerte entre o câmera e a moça, vários cortes rápidos e com a câmera mexida ocorrem, até vermos o homem que estava filmando, por cima da moça batendo nela e depois asfixiando-a até uma suposta morte.

Depois disso, conhecemos o protagonista do filme. Um policial de folga (Stephen Weigand. Por acaso esse cara é parente do Cillian Murphy? Muito parecido…) que está num bar, tomando alguns drinques e tentando "descolar uma gata". Como não arranja nada, vai embora. Ao chegar no estacionamento encontra o pneu de seu carro furado. olhando pelo retrovisor percebe alguém vindo por trás, ele pega sua arma mas é tarde demais, o alguém ataca e o deixa inconsciente.

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As cenas a seguir vão do risível ao lamentável. Atuações medíocres – a policial Janet (Stacy Haiduk) merecia um Framboesa de Ouro – e caricatas – Dr. Heiter Volk (Bob Bancroft). 
Fotografia? Não achei. Suspense? Também estou procurando até agora. É tudo tão previsível que por um momento achei que tivesse adquirido poderes premonitórios, pois não acreditei que estivesse tudo tão na cara.

AVISO: Spoilarei sem dó, justamente para que ninguém perca seu tempo.

Basicamente o Dr. Volk  quer vingança pela "morte" da sua filha – a jovem Rachel (Jennifer Howie) que aparece na primeira parte do filme – então ele sequestra o assassino dela – o policial de folga – e começa a "torturá-lo" – aterrorizantes jatos de água fria com mangueira, injeções de hormônios e choques com atiçadores de gado – enquanto o jovem policial permanece em sua cela. Quando não está sendo cutucado pelo capanga clichê, o policial preso passa seu tempo lendo o diário da filha do doutor maluco, deixado propositalmente para isso.

Após bastante tempo de cativeiro, uma investigação policial da detetive Janet, que chega até a casa do Dr. Volk mas morre logo em seguida, o jovem policial é levado para uma sala de cirurgia caseira e tem seu sexo trocado(!!) e ainda ganha umas belas próteses de silicone. Depois de todo esse trauma e lavagem cerebral, o policial (não, o personagem não tem nome mesmo) começa a acreditar que é Rachel, a filha Dr. Volk. 
E aqui entra a única surpresa do filme, a moça não morreu! Ela foi levada ao hospital, lá teve morte cerebral, mas seu querido pai não permitiu que desligassem os aparelhos, então levou-a para casa, cuidando da pobre filha vegetativa como se ainda houvesse esperanças dela se recuperar.
Resumindo o final: Dr. Volk transformou o policial em "moça" para então fazer com ele a mesma coisa que ele fez com sua filha. Após mais algumas sequencias à lá Trapalhões, o capanga tem sua garganta cortada, o doutor é morto e o policial transexual sai vagando sem rumo pelas ruas. E é isso. A vingança arquitetada por meses acaba em segundos, e a nova Rachel sai por aí, sem dar a entender o que vai fazer.

Nunca me arrependi tanto de ter visto um filme que eu não conheço, fiquem com o trailer que já está de bom tamanho.




Nota: 2 (Seria 1, mas resolvi ser bonzinho pelas risadas provocadas)

Imagens: Divulgação.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Underpop: Irreversível

Irreversível


Nem só de Champagne e Torre Eiffel vive a França, de lá também vem grandes obras do cinema. Algumas muito boas outras nem tanto, e ainda outras muito bem executadas, como é o caso de Irreversível (Irreversible – 2002).

O roteiro é simples: Uma jovem chamada Alex (interpretada pela maravilhosa Monica Bellucci) sai de uma festa após ter um leve desentendimento som seu namorado Marcus (Vincent Cassel). No volta para casa ela resolve usar uma passagem subterrânea como atalho, mas no meio do caminho, se depara com um homem espancando um travesti. Ao perceber que Alex está perto, o violento agressor conhecido como "Le Tenia"(Jo Prestia), parte para cima da moça e abusa sexualmente dela. Não bastando isso, ele também a agride sem piedade deixando-a praticamente em estado de coma. Pouco depois Marcus e seu amigo Pierre (Albert Dupontel) saem da festa e se deparam com uma ambulância socorrendo a jovem agredida. Marcus fica furioso e resolve buscar vingança na mesma hora. Depois de vagar pela noite francesa, parando em vários antros boêmios, os dois amigos conseguem pistas que os levam até o verdadeiro agressor.


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"De trás pra frente??" -"Tô te falando, é de trás pra frente!"

Em cima dessa história linear, o diretor Gaspar Noé, usa uma narrativa totalmente reversa para retratar os eventos, mostrando a história completamente de trás para frente. É tão diferente e curioso que até mesmo os créditos finais, passam no começo do filme.
Desse modo, vemos uma cena até sua conclusão, e em seguida somos levados aos eventos que se antecederam antes dela, e assim sucessivamente.

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Essa construção nada usual, faz com que cada pedaço do filme se torne uma descoberta nova, e  o roteiro ganhei mais um parágrafo a medida que o tempo da película avança e a trama volta.
Só por esse fato, Irreversível já merece atenção, mas ele vai muito além do que um filme de trás pra frente. Cada uma das sequências de tempo retratadas é rodada em apenas um take, ou seja, sem cortes do inicio ao fim da ação. E o mais impressionante ainda é o fato de que cada pedaço do filme possui no mínimo uns 8 minutos seguidos, que são magistralmente segurados pelas belas atuações dos protagonistas. Destaque para uma das cenas mais fortes do filme, onde Alex é estuprada. A sequência dura pelo menos dez minutos ininterruptos e trás uma grande tensão.

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Escolha errada...

Resumindo, Irreversível é um ótimo exemplar de como uma história simples pode ser transformada em algo altamente interessante e inovador.
Apesar do vocabulário pesado e do grande tom de violência em alguns momentos, o filme é recomendadíssimo pra quem gosta do bom cinema, e tudo graças a personalidade da direção de Gaspar Noé.






Nota: 8,5



Imagens: Divulgação.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Underpop: Mártires



Vingança é um tema que sempre rende alguma boa história (vide Oldboy), e ela é o mote principal de Mártires (Martyrs - 2008), filme francês dirigido por Pascal Laugier que conta a jornada de Lucie (interpretada pela belíssima Mylène Jampanoï) que auxiliada por sua amiga Anna (a também bela Morjana Alaoui) busca acertar as contas com seus algozes.


Quando comecei a assistir Mártires logo percebi que não era apenas mais um filme de terror e torturas comum, que explora somente a violência gráfica. Em três atos, vemos Lucie sendo vítima de violência e torturas - aparentemente sem motivo algum - enquanto ainda era pequena, até que num descuido de seus sequestradores, ela consegue fugir e após o êxito de sua fuga é acolhida num abrigo para menores órfãos. Lá ela conhece Anna, com quem rapidamente se apega e cria laços muito fortes.

Mártires

Na segunda parte do filme, vemos Lucie já crescida e buscando informações que a levem aos seus algozes, sempre com Anna ao seu lado. Eis que todas as pistas levam até a uma casa de família, aparentemente de classe média, constituída por um casal e seus dois filhos levando uma vida normal, até Lucie tocar a campainha, e sem hesitar, assassinar todos com tiros de espingarda a queima roupa.
Não vou contar o resto para não entregar a surpresa que o filme revela no seu decorrer, mas é a partir desse ponto que Mártires mostra ter muito mais potencial e conteúdo do que antes.

Mártires

Realmente é um filme forte e para quem tem estômago. Não só pela violência em si, mas pelo terror psicológico que até então só víamos ser executado com maestria nos filmes orientais - em especial os japoneses. Durante todo o tempo, Lucie é atormentada por lembranças e sequelas do tempo que sofreu nas mãos dos seus algozes. Essas visões causam muita dor nela, mas tendo Anna como alguém que lhe dê suporte, ela tenta superar seus fantasmas.
Além do bom roteiro, esse filme francês da nova geração também conta com as boas atuações de suas protagonistas, uma fotografia simples porém efetiva e uma bela direção que a todo tempo nos deixa apreensivos por não saber exatamente o que está por vir, e se o que está ocorrendo na história realmente foi a melhor solução encontrada pelas personagens.

Mártires

Se nos dois primeiros atos a violência e o suspense já impressionavam, no seu último ato, o diretor consegue nos causar mais angústia e aflição, talvez por ter focado nisso, o roteiro perde-se um pouco e o real motivo de tudo aquilo estar acontecendo acaba ficando um pouco escondido. Mas mesmo assim, não deixa de ter uma trama interessante e que funciona bem para o gênero.

Mártires

Finalmente um filme dessa nova onda de terror europeu que não só convence, como consegue ir muito além de ser só mais um O Albergue genérico. Segue o trailer, que não mostra muito, mas já dá uma noção do que está por vir.


Nota: 8


Ps.: O filme foi tão bem aceito pela crítica que vai ganhar um remake americano. Agora é esperar pra ver se chegará aos pés do original.


Imagens: Divulgação.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Underpop: Penance

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Depois da análise do enojante filme da semana passada, retornei a um dos meu estilos favoritos de horror movies, o torture porn. Dessa vez assisti um não tão conhecido da maioria do público: Penance (sem título em português) do ano de 2009.

Com uma estética ao estilo documentário – assim como em Cloverfield e A Bruxa de Blair – Penance (Penitência numa tradução livre) conta a história de Amelia Wallis (Marieh Delfino) uma jovem mãe de 24 anos que trabalha como assistente social ajudando mulheres vítimas de agressão física e sexual.
De começo vemos o primeiro trecho gravado, onde Amelia aparentemente está filmando uma apresentação para algum tipo de reality show ao qual ela deseja muito participar, pois se ganhar, receberá um prêmio de vinte mil dólares, que seriam empregados no tratamento do câncer de sua filha pequena.
Para que suas filmagens saiam "mais naturais" e ela cative o público que irá julgar quem participará do programa, Amelia começa a pedir conselhos de como ficar mais confortável em frente a câmera para sua amiga, a stripper Suzie (Eve Mauro). Conforme vai visitando sua amiga, Amelia percebe o quanto dinheiro sua amiga consegue ganhar apenas dançando sensualmente em festas, e após uma certa relutância, também acaba tornando-se dançarina de striptease.





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Quando tudo falhar, vire uma stripper.

A um determinado ponto Amelia é convidada fazer um "show" num antigo hospital psiquiátrico abandonado nas redondezas de sua cidade. A partir daí, começa o inferno na vida da jovem, que sem saber estava nas mãos do psicopata maníaco Geeves, vivido por Graham McTavish (estará em O Hobbit e também é dublador de vários jogos e séries animadas). Desse ponto em diante o filme segue alternando entre filmagens do próprio psicopata e sua equipe e de Amelia.
Com um tom à la Jogos Mortais (o primeiro) a história de Penance acaba caindo em velhos clichês desse estilo de filme, como o psicopata em busca da punição e redenção das "pecadoras" - as strippers - que ele atrai, tortura e mantém presas no hospital abandonado, até que ele sinta que elas se arrependeram de toda a sua vida errônea.
O nível de sangue é um pouco alto, mas as torturas não são tão excruciantes quanto em outros filmes. O detalhe diferente – ou ponto alto da bizarrice – vai para o ritual executado por Geeves, de arrancar cirurgicamente o orgão sexual de todas as mulheres aprisionadas, e guardá-los numa espécie de "conserva" dentro de um pote cheio de líquido. Há também a cena da auto-mutilação, em que o assassino decepa o próprio pênis(!) em frente a câmera (que obviamente não mostra tudo, apenas ficando na insinuação).





Hummm
Humm, cheirinho bom.


No mais, Penance é um filme razoável, sem muitos atrativos de roteiro se tornando apenas "mais um na multidão" dos torture porns da nova geração. Seu maior atrativo é a atuação de Graham MacTavish (quase chegando no overacting do Dr. Heiter/Dieter Laser) e a estética câmera na mão, que as vezes fica um pouco forçada, com ângulos não muito naturais de filmagem.

Destaque para as participações de Tony Todd (o eterno Candyman) e Michael Rooker (Dias de Trovão, Risco Total, Retrato de um Assassino)





Candyman!!
Candyman!


Pra quem gosta desse tipo de entretenimento, vale pela curiosidade. Para quem não gosta, não irá perder muito tempo já que a película tem só 1h e 22 minutos de duração.

Fiquem com o trailer:







Nota: 5


Imagens: Divulgação.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Underpop: Saló ou 120 dias de Sodoma

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Sempre que ouço ou leio: Determinado filme é o mais polêmico já feito, sempre duvido do julgamento da pessoa ou veículo de comunicação e vou conferir com meus próprios olhos e entender o que torna a obra citada tão controversa assim.
Isso aconteceu em relação a Saló ou 120 dias de Sodoma (Salò o le 120 giornate di Sodoma - 1975), volta e meia quando acho alguma lista com Os Filmes mais Polêmicos já feitos, essa obra do diretor italiano Pier Paolo Pasolini está no meio.
Baseada na novela 120 dias de Sodoma escrita pelo francês Donatien Alphonse François de Sade e adaptada por Pasolini, esse filme gera discussões até os dias atuais.

A história passa-se no ano de 1944 na ex-comuna italiana de Salò (parte da Itália que não havia sido ocupada pelos Aliados) a película retrata a história de quatro fascistas italianos que capturam 18 jovens (nove homens e nove mulheres) e os levam até uma mansão distante da cidade, para então realizar seus desejos sádicos, geralmente filmes considerados polêmicos, causam reações adversas por possuírem conteúdo de violência explícita e abusiva, mostrando mortes, mutilações e atos de violência sexual com riqueza de detalhes, mas esse não é o caso de Saló. Ao invés da violência "tradicional", essa estranha obra abusa da escatologia (ou coprologia).


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A história basicamente resume-se aos quatro fascistas levando seus prisioneiros para uma mansão afastada da cidade, onde reúnem-se a mais quatro senhoras da alta sociedade para realizarem espécies de reuniões onde, um por vez, contam histórias eróticas, a fim de causar excitação uns aos outros. As vítimas são divididas entre cada integrante do grupo fascista, para que estes façam o que quiserem com elas durante as tais reuniões, entendam "o que quiserem" como atos que vão de relações sexuais de todos os tipos (homossexuais inclusive) até o mais chocante do filme: O banquete de fezes, sim, eles não só fazem suas vítimas comerem excrementos, como eles próprios comem com total satisfação.

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O filme todo é uma grande metáfora, a começar pelos apelidos dos quatro fascistas: O Duque, o Presidente, o Bispo e o Magistrado. Cada um obviamente fazendo alusão a cada setor da sociedade pertencente, e mostrando na visão do diretor, o que cada um deles deseja fazer com a população, no caso os jovens sequestrados.
Saló nos mostra o ser humano em sua natureza mais primitiva, mas ao invés de simplesmente ilustrar pessoas buscando o prazer sexual como animais irracionais, mostra o quão pervertida pode ser a mente humana, principalmente quando em grupo e livre de qualquer tipo de regra, explorando psicologicamente ao máximo que ela consegue imaginar-se na busca do hedonismo. Ou metaforicamente falando, o que um grupo de governantes é capaz de implicar a sociedade quando tem poder ilimitado perante ela.

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Olhando pela ótica cinematográfica, Saló é um filme simples e pobre. Talvez tenha sido feito propositalmente assim, já que a história atrai muito mais atenção do que qualquer coisa. Por isso vemos quase nada de fotografia e atuações praticamente amadoras num filme bem parado e frio.
Se você tem estômago fraco, não é um filme recomendado, aliás é um filme que eu não recomendaria a ninguém. Mas se você busca algo diferente (e forte), ou está fazendo algum estudo sobre semiótica em filmes, é uma obra que vale a curiosidade.





Nota: 3


Imagens: Divulgação.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Underpop: A Serbian Film – Terror Sem Limites

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Antes mesmo da recente polêmica envolvendo-o, eu já tinha ouvido falar de A Serbian Film – Terror sem Limites (Srpski Film) mas ainda não tinha tido a oportunidade de vê-lo. Aproveitando o gancho dos recentes acontecimentos, resolvi parar para analisar essa tão controversa obra do estreante diretor Srđan Spasojević.
A película conta a história de Milos (Srdjan Todorovic) um ator pornô aposentado que mora numa casa simples com sua esposa e filho.

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Na primeira parte do filme, o diretor busca nos apresentar e dar a noção da fama de Milos, ao mesmo tempo que mostra a sua atual condição financeira - que não é das melhores. Esse fato acaba tornando-se uma oportunidade para que sua antiga amiga da indústria pornô apareça com uma proposta de emprego praticamente irrecusável e que garantiria o futuro de sua família por um bom tempo, e é a partir daí, que a polêmica começa.
São tantas bizarrices e cenas fortes, que me limitarei a analisar somente algumas poucas, focarei o filme como um todo.
O verdadeiro autor da proposta é Vukmir (Sergej Trifunovic) um cineasta de gosto altamente duvidoso, que quer todo o "talento" de Milos para realizar sua melhor obra.
Somente no 1º dia de gravação Milos começa a descobrir qual o tipo de filme em que está participando, a cada cena vemos um grau de violência que vai aumentando gradualmente, chegando a níveis que nos fazem questionar até que ponto pode-se explorar esse tipo de "entretenimento"?

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Apesar de não abusar descaradamente do gore, A Serbian Film consegue chocar mesmo nas cenas que contêm apenas insinuações do que está acontecendo – como na polêmica cena do estupro de um recém nascido na mesa de parto, em que somente o choro da criança é audível, e o foco é concentrado na reação de desprezo do protagonista diante do que está vendo – usando do áudio para pontuar as sequências.

Analisando friamente como filme, o que vemos somente são atores fracos, fotografia básica, edição muito simples e história não tão original, visto que muitas vezes o filme 8 MM veio a minha mente durante algumas sequências. Mas analisando como obra de protesto, que é o que alega o diretor, podemos realmente por vezes sentir um subtexto político incluso nos diálogos, e certas "analogias" usando-se da pornografia. O problema, é que todas essas comparações e protestos tratam da situação política da Sérvia. Um país que já passou por inúmeras ocasiões de violência e conflitos socio-políticos e que até hoje sofre as consequências disso. 
Por isso, pode-se dizer que A Serbian Film sofre de uma grande ausência de contexto por parte dos espectadores de todo o mundo, excluindo-se a Sérvia obviamente. O que faz com que passe somente como um filme que faz apologia a diversas práticas pornograficas abomináveis como pedofilia e necrofilia. Nesse ponto, discordarei das opiniões que se criaram acerca do filme. Em momento algum vi qualquer indicação que fizesse apologia a pedofilia e afins, visto que o protagonista claramente fica repugnado com as coisas que vê, e nestas cenas, há somente uma insinuação bem distante do que está acontecendo.
Vemos que o filme nos faz perguntar até onde é arte? ou quais os limites do que pode ser gravado num filme?. Muitos dizem que arte é tudo aquilo que nos tira da passividade, seja alegrando, chocando ou fazendo pensar. Se realmente for isso, então podemos chegar a afirmar que A Serbian Film é uma peça de arte, diferente e controversa, assim como muitos outros filmes que já causaram polêmica.



Nota: 4

Imagens: Divulgação

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Underpop: A Centopeia Humana

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Lançado em 2009, A Centopeia Humana (The Human Centipede - First Sequence) é um terror/suspense holandês que mesmo sendo recente acabou tornando-se icônico para o gênero. Também lançado direto no home video, tendo sua exibição limitada a apenas poucas salas de cinemas de Nova York. Ganhou reconhecimento após sua divulgação em alguns festivais e também ao afirmarem ser "o filme te terror mais horrível já feito", mas acabou sendo tudo desmentido por veículos e especialistas que o analisaram.

Começando pelo título – que apesar de soar cômico – A Centopeia Humana consegue ser original também no roteiro, apesar da simplicidade.
Dirigido por Tom Six, a história basicamente é: Dr. Heiter (Dieter Laser) um – segundo ele mesmo – renomado e conceituado cirurgião especialista em separação de gêmeos siameses, quer criar o primeiro ser composto por três seres humanos interligados pelo sistema digestivo. Sim, é bem bizarro. E não para aí. Essa criação é somente a “primeira sequência”, de uma suposta segunda criatura que o doutor maluco queria criar.

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Eu avisei que era bizarro...

Apesar de ter uma premissa interessante, a história em si e os acontecimentos que levam o doutor a conseguir suas cobaias são bem fracos.
A primeira vítima “caçada” pelo Dr. Heiter com uma arma com dardos tranquilizantes é um caminhoneiro, que ele pega desprevenido enquanto este fazia suas necessidades numa moita. As outras duas moças (Lindsay – Ashley C. Willians e Jenny – Ashlynn Yennie) que acabam em suas mãos doentias, aparecem na casa dele em uma noite chuvosa após o carro delas ter o pneu furado no meio da estrada, – e nenhuma das duas saber trocá-lo (!) – alem disso elas têm a brilhante ideia de sair andando sozinhas por uma floresta até achar ajuda.

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Dr. Heiter dando uma breve palestra às suas vítimas sobre como vai operá-las
                                                          
O caminhoneiro acaba sendo não compatível com a experiência e é substituído – leia-se morto – por Katsuro (Akihiro Kitamura) que será a “cabeça” da criatura.
Com o desenrolar da história, o médico alemão se mostra um psicopata obcecado pela sua experiência, apesar disso não chega a ser um sociopata, pois quando se comunica com suas futuras cobaias, mostra uma leve dissimulação, o suficiente para ganhar a confiança das moças e lhes oferecer um copo d’água com  sedativo - o popular Boa noite Cinderela.
Mesmo sendo o evento central do filme, a operação de interligação das três vítimas não demora muito a acontecer e boa parte do filme retrata o “relacionamento” entre o médico e a criatura, a qual ele trata como se fosse um animal de estimação. A falta de detalhamento no processo cirurgico e pós cirurgico, são em parte um ponto fraco.


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"Meus bebês!"

Um dos pontos fortes do filme é a sua curta duração (de uma hora e meia) – mas poderia muito bem ser menor. Porém as atuações fracas e o overacting de Dieter Laser as vezes ficam maçantes em cenas que poderiam ser mais rápidas.
Com uma história original porém fraca, uma edição duvidosa e uma fotografia interessante, A Centopeia Humana é um típico terror da nova geração, que busca impressionar mais pelas cenas grotescas do que pela trama em si, não exagerando tanto nos clichês. Mas há que se notar que muitas vezes os exageros acabam mais sendo cômicos (é difícil não rir, por mais bizarro que seja, de três pessoas uma com a cara na bunda da outra) do que aterrorizantes. Ao menos, há partes que realmente causam alguma reação no espectador, seja aflição ou mesmo nojo, sendo também um ponto positivo para este tipo de filme.

Confira o trailer legendado pelo GETRO:




Nota: 5


P.S.: O diretor Tom Six acompanhou a exibição de seu filme nos festivais de terror e não gostou muito das risadas inevitáveis que ouviu da platéia durante o filme. Por isso, prometeu que a sequencia de sua obra seria ainda mais bizarra e grotesca. Pelo visto ele falou a verdade, já que o filme foi proibido no Reino Unido, sendo considerado “inclassificável”.


Imagens: Divulgação.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Underpop: A Fronteira

Olá amigos do Cine Entretenimento! Sou Guilherme Silva e hoje começo a sessão de postagens Underpop, onde escreverei críticas de filmes não tão famosos assim - ou de gosto um tanto duvidoso para alguns.


E nessa estreia, vamos de A Fronteira.



© Lions Gate Home Entertainment


Dirigido e escrito por Xavier Gens (Hitman – Assassino 47), A Fronteira é um terror com a pretensão de ser gore ou torture porn, mas na verdade a coisa não é tão grave assim.

A história se passa na França. A população está em revolta com o governo autoritário, o que gera vários conflitos nas ruas e torna tudo um caos. A narrativa acompanha um grupo de jovens amigos, dentre eles está Yasmine (Karina Testa), que grávida planeja abortar a criança em Amsterdã, por isso ela e seus amigos pretendem atravessar a fronteira de carro até seu destino na Holanda.
O grupo de amigos se separa em dois, pois Yasmine e seu ex-namorado - e pai da criança, ficam para trás para deixar o irmão dela que está ferido no hospital.
Os outros dois amigos que saem na frente, rumam a fronteira, porém a noite cai antes deles alcançarem seu objetivo, por isso resolvem parar numa espécie de pousada perto da estrada.
E é aqui que começa o show de clichês.

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Aonde foi que eu vi isso mesmo? Robocop? Viagem Maldita?
Começando pelo próprio local, onde os rapazes encontram belas moças afim de uma "festinha" (qualquer semelhança com O Albergue é mera coincidência).
Numa sequência meio confusa de se entender, temos os rapazes - um mais animado do que o outro, encorajando as moças a irem para o quarto com eles. Depois temos uma breve cena de sexo onde aparentemente não rolou nada, pois logo a seguir vemos os dois rapazes jantando numa mesa junto delas, um grandão com pinta de irmão mais velho e uma senhora com cara de matriarca - sinceramente não sei se essa cena deveria ser cômica, pois se era pra ser, não teve o efeito esperado, também não entendi o intuito dela.
Abrindo um parênteses, esse estilo de colocar diálogos engraçadinhos no meio de um filme com essa proposta não é algo que agrada. Aliás, esse típico "diálogo francês" não é convincente em nenhum filme, vide Taxi.
Enfim, a partir daí começa a sessão galhofa. Com interpretações um tanto duvidosas, e ações ao estilo gato caçando rato, os rapazes finalmente são levados para uma velha mansão onde mora um velho/louco/neo-nazista/canibal - não necessariamente nessa ordem.

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E é claro que não poderia faltar uma Luger pra assinar o atestado de nazista do velhinho.

Nisso, Yasmine e o pai de seu filho chegam a pousada após receber uma mensagem dos amigos na noite anterior. Lá, as duas moças fogosas dizem que os rapazes estão em outro hotel no final da estrada. Todo mundo vai até lá e então as intenções do velho nazi são reveladas: Comer os visitantes e fazer Yasmine engravidar do seu filho também psicótico(!).
Como eu disse anteriormente, o filme tinha a pretensão de ser torture porn, mas o que se vê é um pouco de sangue espirrando e nenhum porn.
Filmes como esse em que a história não te prende, ao menos chamam a atenção pelo nível de violência e mutilação empregados - se você gosta do gênero. Mas A Fronteira não entrega nem um nem outro. Além de uma história fraca e confusa, a violência que seria um dos motes do filme também não convence. Além de não chamar atenção e usar de artifícios presentes em O Albergue, como os velhos clichês o corte no tendão de Aquiles (também visto em Casa de Cera) - que por sinal é a cena mais pesada do filme inteiro.
Resumindo, A Fronteira usa um conflito urbano para tentar nos aproximar da história mas acaba caindo no mesmo clichê desse gênero de filme, com personagens caricatos (o psicopata torturador; o ajudante gordo com avental de açougueiro; a filha infantil; os capangas retardados) e narrativa previsível, acaba sendo um mix mal feito de O Albergue com Viagem Maldita.

Confira o trailer abaixo.





Nota: 3 de 10 (e olhe lá!)

Imagens: Lionsgate/Divulgação.